Festival da Bagunça pós-RJ

Toda vez que eu volto de viagem, é a mesma coisa.

Vou jogando coisas pelo quarto, pensando e repensando o que vai pra máquina de lavar (acabo colocando tudo, no fim das contas), no que é presente, no que eu usei, no que eu nem sei como foi parar na mala.

A bagunça faz parte de mim. Parte tão forte que os quartos sempre ficam mais limpos quando eu vou embora.

O que mais machuca.

Isso é um desabafo.

Eu acabei de sair de um namoro de três anos.
Eu acabei de sair de um estágio de um ano e meio.
Eu acabei de saber que a garota que eu dava aulas nos sábados vai se mudar.

Tudo isso em uma semana.

Uma dessas decisões (a segunda) foi uma decisão minha. As outras duas foram pegadinhas do destino mesmo. Não é difícil saber a que está incomodando mais…

Eu sempre ouvi que eu tinha sorte em namorar o meu melhor amigo. Nós morávamos perto um do outro, uns cinco minutos de caminhada, o que facilitava ainda mais esse fato (ele é o amigo que mora mais perto de mim). Nossos amigos eram os mesmos. Amigos meus que ‘conquistaram ele’. Amigos dele que me conquistaram. Antes de namorar, nós eramos amigos. Estudamos na mesma escola, fizemos curso de inglês no mesmo local, tínhamos os mesmo professores, ele havia até mesmo estudado com minha irmã. São 8 anos.
Só que, quando seu namoro acaba e quando você sai do estágio em uma situação meio desagradável, a única coisa que você quer é um abraço do seu melhor amigo, chorar no colo dele, assistir um episódio de How I Met Your Mother e esquecer o motivo real de estar ali. Mas esse direito acaba quando ele é seu ex-namorado.

Essas coisas que você não consegue controlar costumam ser difíceis. Muitas vezes parece que é impossível. Muita gente acha que eu ‘já joguei a toalha’, ou ‘você tá aparentando estar bem!’ ou ‘foi melhor assim’. Mas não é assim. Devo dizer que minha interpretação (principalmente pra minha mãe) está digna de um Oscar. Mas as coisas ficam guardadas aqui dentro e, estranhamente, eu resolvi colocar no blog. Sempre tive mais facilidade de escrever do que falar, então.

Novamente, isso é só um desabafo. Mas quando aquela comida estranha incomoda demais na sua barriga, é melhor coloca-la pra fora. E rezar pra não bater aquela estranha fome quando aquela comida estranha é tudo o que tem pra comer…

misto quente

Aquela segunda feira tinha cheiro de pão de queijo.

O carro parecia mais gelado que o normal e as pessoas se movimentando perto da Padaria de Santa Cruz causavam uma inveja estranha nela. Teve vontade de parar. Eram 6:52.

“Quem chega atrasado, é ladrão do tempo alheio”

– Merda.

hospital(idade)

Trabalho em um hospital desde novembro de 2010. Relativamente pouco tempo. Mas muito para alguém que não estuda medicina/farmácia/biologia/biomedicina/fisioterapia/enfermagem/terapia ocupacional/psicologia. Me orgulho em dizer que ainda não vejo as pessoas como pacientes, doentes, enfermos. Me orgulho de verdade.

E, como participante diária e inativa de um enorme hospital público, onde o museu é confundido com elevador, fisioterapia, medicina nuclear e necrotério (ok, estou exagerando, esse não foi ainda), resolvi escrever um pouco sobre como funciona, como pensa, logo, existe. Como vive um hospital (e todo mundo dentro dele).

Hospital(idade), a gente vê por aqui.