i’ve got a midnight bottle, gonna drink it down

Acordava com o barulho das ambulâncias.

 

“A morte não descansa. Não existe feriado”

 

De domingo à domingo.

 

Depois de alguns meses, havia acostumado-se com os barulhos. Já conseguia diferenciar as sirenes, sabia de onde cada ambulância vinha, até mesmo o modelo. As grandes, as pequenas.

Acordava cedo. Antecipando os sons que tirariam seu sono, saia da cama, fazia o café, abria as janelas, lembrava-se dos afazeres do dia.

 

“Não existe feriado”

 

A primeira manhã dele, como sempre, as ambulâncias fizeram sua entrada triunfal. Ele não se abalou. Os sons iam, voltavam. Permanecia imóvel, surdo perante os barulhos, cego diante das luzes.

Tentou sair da cama. Render-se. Cair em sua própria rotina.

 

O braço dele passou puxou de volta. O sono havia voltado.

 

Silêncio.

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Onde foi que eu parei.

Mais de um ano sem escrever no blog.

Eu poderia colocar muitas desculpas esfarrapadas pra minha falta de escrita mas, basicamente, eu tenho vivido demais.

Uma das coisas que eu tenho vivido demais é um sentimento.

Em meados de 2013, quando eu fiquei solteira, eu me senti meio… perdida. Entre os 18 e os 22 anos, eu sempre estive em relacionamentos.
Eu não sabia como começar. Não sabia muito bem quais passos dar ou qual melhor caminho.

Entre 2013 e o final de 2014, eu vivi muita coisa. Estar solteira me fez abrir os olhos para a minha própria solidão e me fez notar que eu não precisava de ninguém. Passei a parar de ver relacionamento como uma garantia de que alguém me aturava no mundo, já que eu não o fazia. Me relacionei com muito cara bem… nada. Vivi lindas histórias que duraram 3 dias. Passei noites fora de casa olhando para o céu e me questionando em como eu poderia fazer aquele sentimento durar. Peguei na mão. Abracei. Subi e desci ladeiras em Olinda, debaixo do sol. Joguei dardos. Olhei nos olhos. Dancei ao som de Nikola Sarcevic. Dancei muito. Transformei amigos em outras coisas. Depois em amigos de novo. Eu me sentia como se estivesse com os pés perto do mar, sentindo as ondas batendo e voltando. Aproveitando cada ida e cada volta.
Me envolvi com pessoas muito diferentes. Em lugares diferentes. De maneiras diferentes. Sotaques, cabelos, rostos. Tudo era novo.

E, de algum modo, tudo foi passageiro.

E eu estava bem assim.

Estava tão bem que, quando comecei a sentir as coisas pela primeira vez, eu pensei que era mentira.
Arrumei desculpas.
Disse alguns ‘não’. Queria ter dito mais. Ao menos era o que eu pensava na época.
Desabei e desabafei.

Eu só conseguia pensar ‘de novo não, por favor’.

O ‘de novo’, para mim, era a insegurança. O medo. Os questionamentos. As dúvidas que sempre voltavam. O olhar no espelho e não ver nada. O procurar e não achar.

No fim das contas, o ‘de novo’ virou apenas… ‘novo’.
E é com esse ‘novo’ que eu tenho me virado. E é com o ‘novo’ que eu tenho sido feliz 🙂

#heloizatakestheworld

2015 podia ter começado pior do que começou. Estar desempregada logo no inicio do ano não era o que eu tinha em mente. Mas eu já estava esperando.

E esperando de malas prontas.

Daqui a 30 dias, eu pego minha recém comprada mochila de 75l, e embarco para Berlim/Viena/Budapeste/Bruxelas/Copenhague/Malmö/Berlim (e de volta pra terras recifenses).

A última vez que eu fiquei tanto tempo longe de casa foi em 2009. A dinâmica era diferente, o país diferente, o mundo diferente, minha mente era diferente. Isso já faz com que minha mãe – UM MÊS ANTES – comece a se arrepender da ideia de deixar a menininha dela sozinha pelo mundo.

Bem, a ideia de ficar sozinha pelo mundo muito me atraí. E vou usar isso tudo pra escrever! Escrever sobre os lugares que eu vou, onde, fazer o quê.

E é isso ai!

Indo e voltando e indo e voltando.

Mas sem efetivamente sair de canto nenhum.

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Voltei pra terapia. Glorifica de pé igreja. Eu fico me perguntando como fiquei tanto tempo sem terapia (e eu sei o quanto essa frase me faz parecer uma atriz da globo).

Sou dependente de pagar alguém pra me ouvir. Ou me criticar. Me manda dormir. Me mandar ir pra academia de manhã. De perguntar como anda meu sono. De, discretamente, mandar eu fazer alguma coisa melhor com a minha vida.

No mais, eu fico em casa pensando na vida. Pensando nas histórias que eu devia escrever. Pensando nas mensagens que eu recebo e tentando arrumar sentido. Fico tentando arrumar meu jardim de pensamentos pra chegada da primavera.

Café quente

Para Fernando,

Não consegui chegar a tempo de me despedir. Sou atrasada até nisso.

Mas, eu, a Loba e Jão saimos juntos para jantar e lá, obviamente, lembramos de você.

Eu tenho um apego imenso à memórias e guardo muitas memórias suas.

Algumas você nem deve lembrar. Algumas você nem deve saber.

Mas uma vez, depois de uma das semanas mais dificeis, das piores fases, a gente se sentou na Geek e o sol estava diretamente no meu rosto.
Eu falava daquilo que me doia, daquilo que me machucava, daquilo que eu tinha tentado esconder.

E tu me interrompe no meio e diz:
“Teus olhos são tão lindos, Helô”

Os seus também. E espero que o que vai estar na frente deles vai ser ainda mais lindo.

Te amo!

O que eu tenho guardado pra te dar

Eu tenho algumas coisas guardadas pra você numa caixa que eu mantive fechada por quase um ano. Ali debaixo dos cabelos que demorei pra cortar, do peso que nunca perdi, dos desejos que ficaram como desejos mesmo.

Eu tenho àrvores. E elas tem histórias tão mágicas que você nem acreditaria!

Eu tenho olhos abertos e mãos prontas para serem tocadas.

Eu tenho uma memória de muitas músicas que você nunca ouviu. Tenho passos de dança pra te acompanhar.

Tenho receitas boas pra curar tristeza, pra fazer acordar cedo ou só pra bagunçar a cozinha mesmo.

Tenho ombros pra você colocar sua cabeça. Posso esconder sua escova de cabelo pra você deixa-los solto.

E eu tenho eu. Espero que você aceite.

Um brinde.

bright

Um brinde aos que tem um futuro brilhante e não sabem o que fazer.

Um brinde aos que não tem um futuro brilhante, mas se sentem ‘achados’.

E um brinde a mim, que não está nem em um grupo, nem em outro.