whoever she is

1. She could be money, cars, fear of the dark
Your best friends are just strangers in bars

– Você vai beber mais uma cerveja? – o ele perguntou
– Não. Essa foi a última mesmo – e abriu a carteira, entregando-o uma nota de 20 reais – Sua gorjeta.
Ele sorriu. Sempre a mesma nota amarela de 20 reais.
– O bar vai fechar em pouco tempo. Tu precisa de táxi?
– Provavelmente.
Ela estava mais pálida que o normal. Os cabelos estavam mais longos do que o normal. E ele conhecia o normal, já que ela estava ali todas as quintas, por dois anos. O normal era curto atrás, com mechas mais longas na frente. Agora eles alcançavam os ombros, visivelmente estragados.
– Você pode esperar o bar fechar e a gente pode rachar um. Digo, se for o mesmo caminho.
– Um bartender que vai de táxi pra casa? – a sobrancelha dela arqueou.
– Um dono de bar que vai de táxi pra casa.
Por dois anos, ele a acompanhava todas as quintas. Servia cervejas, petiscos, recebia 20 reais de gorjeta. O dialogo era pouco. Mundano. Ela nem sabia que ele era o dono do bar, ao contrário de todos. Mas todos estavam sentados nas mesas, acompanhados, vivendo. Não ela. Ela se sentava no balcão.

Debaixo de um dos refletores, uma das partes mais claras do bar, mas ainda assim… distante.

– Eu moro a 20 minutos daqui. Norte.
– Eu também.
– Ok.

Ela o esperou nas escadas. Fumava. Jogou o cigarro no chão e estendeu a mão para o táxi assim que ele aproximou-se.

Passaram o caminho em silêncio. As únicas palavras trocadas foram instruções entre ela e o motorista.

Mesmo assim, compartilhavam o banco de trás do carro. Ela tirava as sapatilhas azuis dos pés, mexia na bolsa.

20 minutos depois, o motorista parava na frente de um prédio.
Ele a olhou procurar a carteira, as chaves e agradecer o motorista.
Pensou em dizer alguma coisa. Em perguntar. Em se convidar. Pensou e não falou.

– Até quinta.

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2014 like a hurricane

Resolvi começar o ano de 2014 enganando a mim mesma pela minha falta de planos.

Eu tento, né?

Só tento mesmo, sou uma negação nessa coisa toda. Mas 2014 começou bem, como uma brisa geladinha da Serra Gaúcha. E lá, na Serra Gaúcha, fiz a alegria de muitas inimigas e comi que nem uma porca. Rá. Mas comer é abrir um pouco os olhos pra o mundo ao redor e meu coração sente sua falta, polenta.

No mais, daqui a pouco chega o meu aniversário, daqui a pouco chega Socchi, daqui a pouco o mundo gira mais uma vez e eu preciso tomar um remédio pra dor de cabeça.

if…

I bet you’re hard to get over. I bet the room just won’t shine. I bet my hands I can stay here. I bet you need, more than you mind.

I think you’re so mean, I think we should try, I think I could need this in my life.
I think I’m just scared that I know too much, I can’t relate and that’s a problem I’m feeling.

If you’re gone, maybe it’s time to come home
There’s an awful lot of breathing room but I can hardly move
If you’re gone, baby you need to come home
There’s a little bit of something me in everything in you

É o que tem pra hoje. E pra sei lá até quando.

awakening

Eu nunca fui tão medrosa.

Ao menos nunca tive aqueles medos de ‘mulherzinha’, como baratas. Mato mesmo e jogo fora. Só não gosto de sapo. Sabe como é, gelado e viscoso…

Meu único medo é de não ser feliz.

Lembro de falar isso pra meu antigo (sdds) terapeuta. ‘Tenho medo de não ser integralmente feliz. Até por que nunca fui’.
Ele riu.

Podia ser o bichinho da bipolaridade. Mas não sei, não sei. Acho que algumas pessoas não nasceram para ser integralmente felizes. Tipo escritores – e, vez ou outra, eu gosto de me observar como uma. Mas ainda penso que eu queria. Só um pouco. Pra saber como é.
Ainda bem que não sou dessas mal agradecidas com a vida.

A tristeza faz parte. Mas sempre existe chocolate.

A re-volta

Em agosto do ano passado, eu fiz esse post.
Hoje, ele continua.

I’m falling in love. but it’s falling apart
I need to find my way back to the start
When we were in love, things were better than they are
Let me back into… into your arms

😦

Fechando a porta pra Plutão.

Dai que meu primo é astrólogo.

Pras pessoas normais, ok, massa, que legal um primo astrólogo. O problema é quando você tem um primo astrólogo & dramático.

Acontece que esse ano novo, fui pra casa dele comemorar o aniversário de Fred – que é dia 01. Subimos pra cobertura para ver os fogos de artificio. E lá, meu primo astrólogo & dramático me diz:
‘você sabe que tem plutão na casa do casamento’.

Ai eu parei.
Ali, meia noite e poucos minutos, eu ouço – mais uma vez, mas eu sempre esqueço – que plutão, na hora que eu nasci, resolveu fincar os pés na minha vida conjugal. Isso explica meus últimos relacionamentos frustrados? Isso explica o simples fato de eu abolir a ideia de ter filhos?

Mas, como nada é só problema, ele continua:
‘Mas você tem vênus, o sol, mercúrio e urano na casa do trabalho’.
A beleza, a grandeza, a esperteza e a loucura tudo ali, junto, azulzinho da silva sorrindo no meu mapa astral.

E esse ano eu vou fazer seleção de mestrado. Vamos ver se esses 4 juntos servem de alguma coisa, por que se Plutão bater na minha porta… eu jogo meu cérbero imaginário nele. E dai a gente vê o que é bom pra tosse.

OBS ALEATÓRIO: Um beijo pro casal de prato feito que reclama de atualização ❤