Sobre Heloíza

24 anos, acima do peso, alérgica e indisposta com o universo

Onde foi que eu parei.

Mais de um ano sem escrever no blog.

Eu poderia colocar muitas desculpas esfarrapadas pra minha falta de escrita mas, basicamente, eu tenho vivido demais.

Uma das coisas que eu tenho vivido demais é um sentimento.

Em meados de 2013, quando eu fiquei solteira, eu me senti meio… perdida. Entre os 18 e os 22 anos, eu sempre estive em relacionamentos.
Eu não sabia como começar. Não sabia muito bem quais passos dar ou qual melhor caminho.

Entre 2013 e o final de 2014, eu vivi muita coisa. Estar solteira me fez abrir os olhos para a minha própria solidão e me fez notar que eu não precisava de ninguém. Passei a parar de ver relacionamento como uma garantia de que alguém me aturava no mundo, já que eu não o fazia. Me relacionei com muito cara bem… nada. Vivi lindas histórias que duraram 3 dias. Passei noites fora de casa olhando para o céu e me questionando em como eu poderia fazer aquele sentimento durar. Peguei na mão. Abracei. Subi e desci ladeiras em Olinda, debaixo do sol. Joguei dardos. Olhei nos olhos. Dancei ao som de Nikola Sarcevic. Dancei muito. Transformei amigos em outras coisas. Depois em amigos de novo. Eu me sentia como se estivesse com os pés perto do mar, sentindo as ondas batendo e voltando. Aproveitando cada ida e cada volta.
Me envolvi com pessoas muito diferentes. Em lugares diferentes. De maneiras diferentes. Sotaques, cabelos, rostos. Tudo era novo.

E, de algum modo, tudo foi passageiro.

E eu estava bem assim.

Estava tão bem que, quando comecei a sentir as coisas pela primeira vez, eu pensei que era mentira.
Arrumei desculpas.
Disse alguns ‘não’. Queria ter dito mais. Ao menos era o que eu pensava na época.
Desabei e desabafei.

Eu só conseguia pensar ‘de novo não, por favor’.

O ‘de novo’, para mim, era a insegurança. O medo. Os questionamentos. As dúvidas que sempre voltavam. O olhar no espelho e não ver nada. O procurar e não achar.

No fim das contas, o ‘de novo’ virou apenas… ‘novo’.
E é com esse ‘novo’ que eu tenho me virado. E é com o ‘novo’ que eu tenho sido feliz 🙂

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Falando a verdade.

Falando a verdade, de verdade mesmo, meu mês na Europa foi fantástico. Não foi perfeito, mas foi fantástico. E fantástico é uma palavra que eu uso pouco pra descrever momentos na minha vida.

A outra verdade é que eu não queria ter voltado. Claro, eu sabia que ia voltar, mas não queria. Acho que ainda não voltei. Ou não voltei completa e não sei quando o que ficou vai voltar.

Ou se vai voltar (pra falar a verdade, eu espero que não… e pra continuar falando a verdade, eu sei que vai).

Eu posso falar a verdade e dizer que Berlin é, no fundo, uma cidade meio triste. Que neve é mais legal quando a gente está acompanhado de alguém que nos faça rir.

Vienna, então, parecia meio suja e bagunçada. Tinha lama em todo canto, na verdade. Mas até um parque cheio de lama é bom quando a gente tem alguém pra segurar nossa mão e ajudar a gente a não escorregar.

Budapeste soa meio perigosa e perdida, e é mesmo. Mas um sorriso ao receber um hambúrguer com 3 hambúrgues e destruir o negócio todo, pensar que a pessoa na sua frente vai te achar uma ogra, enquanto ele acha que nunca viu um rosto mais feliz na vida.

Bruxelas é meio amalucada, tem de tudo um pouco. Mas tem cerveja, tem companhia e sempre se pode roubar o segundo gole da cerveja alheia. De verdade.

Malmö é fria em todos os sentidos. O vento parece cortar sua alma, mas a chuva da janela não te assusta. O café da manhã deitada na cama não assusta. Jogar dardos e ser massacrada numa partida nem é a pior coisa do mundo.

E tem muitas outras verdades que eu aprendi e, o problema, é que essas não são as minhas verdades agora. E isso, ao menos ao que parece, eu ainda não entendi.

#helotakestheworld: O que eu vou levar.

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Eu sou muito exagerada em bagagem. Muito. Nem lembro quantas vezes já separei mil coisas para viajar e usei as mesmas roupas.
Por que, além de exagerada, eu sou apegada às minhas roupas. Ou seja: uso as mesmas roupas o tempo todo. E sempre que eu viajo, eu acabo aproveitando pra tentar roupas que eu não uso tanto por aqui. No fim das contas: minha mala tá sempre lotada. SEMPRE.
A última vez que fiquei um mês fora de casa levei uma mala com 10kg, outra com 25kg. Sim. Pra um mês. Em Buenos Aires, por uma semana, levei 17kg.

E gente, 17kg é muita coisa.

Dessa vez eu decidi fazer diferente. Levar a menor quantidade de coisas possível. Por já ter viajado um tanto, acabei aprendendo como se vestir em viagens e o que a gente realmente usa/não usa. Em relação às roupas, eu faço um post especial, mas, por enquanto, trouxe algumas dicas de coisas que eu vou levar na viagem.

1. Kobo – Ou Kindle ou Liv ou qualquer um leitor de e-book.
Os motivos são vários. Primeiro, eu não saberia escolher qual livro levar. Sempre o mesmo drama. Já tenho o Kobo a mais de um ano e não me arrependo de ter comprado. Continuo amando livros e continuo comprando livros (menos, mas continuo). Mas, para viajar, a praticidade do Kobo ganha mil vezes.
É leve. Muito leve. E fininho, cabe em qualquer lugar. No meu caso, eu tenho um Kobo Glo, que tem luz. A luz é facilmente controlada para que não incomode os olhos. Quando fui pra Buenos Aires sem setembro do ano passado, dividi quarto com minha mãe e, quando ela ia dormir e eu não estava com sono, era só ligar o Kobo e ler. Não incomodava ninguém e eu ainda conseguia ler até o sono chegar. Além disso, o Kobo tem navegador e pega wi-fi. O navegador é bem lento e é em preto e branco, mas em uma emergência, pode ajudar bastante.

2. Lanterna
Esse foi experiência própria. Dividir quarto e a pessoa precisa de algo no meio da noite e não pode acender a luz? Lanterna.
Por exemplo, eu vou pousar em Berlim de 23:30. Da hora que eu pousar até a hora de chegar no hostel… sabe lá que horas vai ser. Já vou carregando um pijama, uma toalha e a lanterna, prontinhas para serem usadas quando chegar no quarto e não atrapalhar ninguém.

3. Canivete
Basicamente, é uma faquinha pequena. Pra cortar etiquetas, comida, tags de mala, qualquer coisa que apareça no caminho. É realmente bem pequeno (o meu, no caso), mas pode ser bem útil no desespero e na falta de, sei lá, uma tesoura mais parruda.

4. Mochila pra o dia-a-dia
Eu sou louca por mochilas. Louca mesmo. Tenho várias. Mas comprei outra, a clássica da Jansport, pelo simples fato dela ser MUITO leve. Mochilas costumam ser, mesmo vazias, mais pesadas do que bolsas normais, mais parrudas mesmo. A Jansport é bem levinha e tem garantia pra vida toda. Pois é. É espaçosa, mas não é gigante (o que é um PROBLEMA pra mim que amo carregar o mundo nas costas).

5. Space Bag
MELHOR COMPRA (mentira). Space Bag não é nada mais, nada menos que uns sacos, tipo zip lock, com uma entrada para você colocar o aspirador de pó, sugar o ar de dentro da sacola e TA-DA: diminui o tamanho do que você colocar dentro – roupas, no caso – em 50%. Eu não vou levar um aspirador de pó pra viagem. E nem sei se vou achar algum lá pra fazer isso na volta, mas, só sentar encima e dobrar já faz alguma diferença.

6. Pasta Classificadora
Sim. Daquelas com divisões dentro. Comprei uma pequena e separei por cidade. Nela, vou guardar as cartas convite dos amigos que vão me abrigar, as reservas de hotel, os tickets de passagem, tudo impresso bonitinho e organizado. Pode parecer uma besteira, mas achar um papel no meio da confusão poupa um tempo danado.

Bem, é isso por enquanto. Daqui pra viagem eu vou postando mais coisas sobre os preparativos!

#heloizatakestheworld

2015 podia ter começado pior do que começou. Estar desempregada logo no inicio do ano não era o que eu tinha em mente. Mas eu já estava esperando.

E esperando de malas prontas.

Daqui a 30 dias, eu pego minha recém comprada mochila de 75l, e embarco para Berlim/Viena/Budapeste/Bruxelas/Copenhague/Malmö/Berlim (e de volta pra terras recifenses).

A última vez que eu fiquei tanto tempo longe de casa foi em 2009. A dinâmica era diferente, o país diferente, o mundo diferente, minha mente era diferente. Isso já faz com que minha mãe – UM MÊS ANTES – comece a se arrepender da ideia de deixar a menininha dela sozinha pelo mundo.

Bem, a ideia de ficar sozinha pelo mundo muito me atraí. E vou usar isso tudo pra escrever! Escrever sobre os lugares que eu vou, onde, fazer o quê.

E é isso ai!

Indo e voltando e indo e voltando.

Mas sem efetivamente sair de canto nenhum.

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Voltei pra terapia. Glorifica de pé igreja. Eu fico me perguntando como fiquei tanto tempo sem terapia (e eu sei o quanto essa frase me faz parecer uma atriz da globo).

Sou dependente de pagar alguém pra me ouvir. Ou me criticar. Me manda dormir. Me mandar ir pra academia de manhã. De perguntar como anda meu sono. De, discretamente, mandar eu fazer alguma coisa melhor com a minha vida.

No mais, eu fico em casa pensando na vida. Pensando nas histórias que eu devia escrever. Pensando nas mensagens que eu recebo e tentando arrumar sentido. Fico tentando arrumar meu jardim de pensamentos pra chegada da primavera.

Meus dois centavos sobre: viajar sozinha

Minha primeira viagem – e, de certa maneira, a única – foi em 2009. Eu tinha muitas expectativas, muitos sonhos, carregava muita roupa na mala (e trouxe ainda mais ma volta) e um desejo de mudança. Achava que uma viagem ia mudar completamente a minha vida. Aliás, achava que AQUELA viagem ia mudar a minha vida. Que tudo ia ser lindo. Que tudo ia ser mágico. The time of my life com minha versão do Patrick Swayze.

No fim, foi um pouco disso sim. Mas não tudo.

Depois disso, viajei “sozinha” algumas outras vezes. Ou ficava na casa de amigos e passava – efetivamente – pouco tempo sozinha.

Daqui a pouco mais de três meses, eu embarco mais uma vez. A mesma duração da primeira viagem, 28 dias. E, mais uma vez: sozinha (ou quase isso, já que vou encontrar alguns amigos no caminho).
A diferença – além do roteiro, claro – sou eu.
A expectativa foi preenchida (em sua maior parte) por uma felicidade simples. O desejo de descoberta ainda existe, mas sem os planos que transformavam a descoberta em um… plano.

Se essa viagem vai completar o que eu não senti ou experimentei na primeira, eu não sei. Mas é bom saber que meu coração está mais leve e mais aberto do que estava em 2009.

Espero que a Europa esteja pronta pra isso.

Café quente

Para Fernando,

Não consegui chegar a tempo de me despedir. Sou atrasada até nisso.

Mas, eu, a Loba e Jão saimos juntos para jantar e lá, obviamente, lembramos de você.

Eu tenho um apego imenso à memórias e guardo muitas memórias suas.

Algumas você nem deve lembrar. Algumas você nem deve saber.

Mas uma vez, depois de uma das semanas mais dificeis, das piores fases, a gente se sentou na Geek e o sol estava diretamente no meu rosto.
Eu falava daquilo que me doia, daquilo que me machucava, daquilo que eu tinha tentado esconder.

E tu me interrompe no meio e diz:
“Teus olhos são tão lindos, Helô”

Os seus também. E espero que o que vai estar na frente deles vai ser ainda mais lindo.

Te amo!