i’ve got a midnight bottle, gonna drink it down

Acordava com o barulho das ambulâncias.

 

“A morte não descansa. Não existe feriado”

 

De domingo à domingo.

 

Depois de alguns meses, havia acostumado-se com os barulhos. Já conseguia diferenciar as sirenes, sabia de onde cada ambulância vinha, até mesmo o modelo. As grandes, as pequenas.

Acordava cedo. Antecipando os sons que tirariam seu sono, saia da cama, fazia o café, abria as janelas, lembrava-se dos afazeres do dia.

 

“Não existe feriado”

 

A primeira manhã dele, como sempre, as ambulâncias fizeram sua entrada triunfal. Ele não se abalou. Os sons iam, voltavam. Permanecia imóvel, surdo perante os barulhos, cego diante das luzes.

Tentou sair da cama. Render-se. Cair em sua própria rotina.

 

O braço dele passou puxou de volta. O sono havia voltado.

 

Silêncio.

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