I don’t know who you are,

but I’m with you.

“Lembro do dia em que eu quebrei um vidro de perfume da minha mãe. Era um Chanel Nº 5, aquele clássico. Ela havia acabado de voltar de Paris com um daqueles namorados que eu já falei pra você, lembra? O advogado? Acho que havia sido presente dele, o perfume.
Fiquei uma semana de castigo. Sem sobremesa, sem ter direito a sair de casa, sem tv.

Mas o pior do castigo era aquele cheiro. Espalhado pela casa toda. Por dias a fio, o cheiro invadia minhas narinas.

Esse era o pior castigo. Sentir aquela lembrança, aquele cheiro o tempo todo.

Uma vez acabei um namoro por que a mãe do garoto usava Chanel Nº 5. Não podia ser amor. Não ao lado daquele perfume”.

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Psychokiller

Estou sem terapia a três meses.

Meu terapeuta inventou de ficar ainda mais caro e não, não dá. Terapia plus remédios. Sem condições. Os remédios eu consigo, amigos médicos <3. Mas…

O problema é a minha última vez no terapeuta.

Inventei de que já estava pronta pra abrir umas feridas. Fiz uns planos com ele, falamos do taxímetro ligado. E agora, tá ai, tudo aberto, escancarado e dolorido.

Me emprestem uns esparadrapos pra fechar esses buracos por que essa dor tá se esparramando e eu já nem sei o que fazer.

Vende-se bom senso

Vez ou outra a gente se depara com umas situações que nos fazem acreditar na veracidade de comédias pastelão e videos de pegadinhas.

Se a arte imita a vida, até eu posso ser a protagonista.

Estávamos eu e uma amiga na Casa da Cultura. Eu precisava comprar presentes para meus amigos em Salvador e aproveitei que tinha que dar uma olhada na Casa pra fazer as fotos da minha apresentação de TCC, matei dois coelhos em uma cajadada só.

Até que, a vendedora de uma lojinha sem graça e que não tinha o que eu queria…

– Você estoura essas espinhas, né?
– Não.
– Você come muita comida de milho? Por que quando eu comia muita comida de milho, meu rosto ficava assim como o seu.
– Não.

Nessa altura do campeonato, a minha amiga já estava com os ouvidos pegando fogo e saiu da loja em disparada.

Ouvi mais uns dois minutos, de cabeça baixa. Fui embora agradecendo e me prometendo uma coisa:

próxima vez, eu mando tomar no cú. Podem ser variações como ‘por que você não cuida da sua vida?’ ou ‘tá, e eu com isso?’ ou ‘desculpa, mas eu pedi sua opinião?’. Mas todas as frases, no fim das contas, significam a mesma coisa.

Eu tenho 22 anos, muitas espinhas e quase 90kg, o que é muito para alguém de 1.60. Fácil? Não, nem é. Pretendo emagrecer sim, pretendo ter a pele boa, adoraria ser mais alta. Mas enquanto eu não sou… eu tô vivendo.

Então, se você não consegue segurar sua boca pra dar uma opinião onde não foi chamado… vê se usa a boca pra comer. Se teu peso aumentar, você pode ter certeza que eu não vou te mandar pra o meu nutricionista.

O calendário do amor

Essa semana me peguei rindo sozinha: umas seis pessoas diferentes começaram relacionamentos sérios! Assim, de uma vez só, lá estava eu, curtindo uma porrada de ‘x está em um relacionamento sério com y’.

Amor pra tudo quanto é lado, bombardeado por metralhadoras.

Me lembro também que, no ano passado, vários namoros terminaram na mesma leva.

Mas pessoas que acabaram ano passado não são as mesmas que começaram esse ano ano.

O que aconteceu com as pessoas que, depois de um relacionamento estável, ficaram sozinhas? Ainda estão sozinhas?

Algumas pessoas demoram muito para abrir o coração novamente. Abrir o coração integralmente mesmo, cada parte podre e escura. Ficam extremamente apegadas a pequenos erros e detalhes, coisinhas que não funcionaram aqui e ali. Detalhes. Mas tantos detalhes que acabam virando a maior parte de tudo o que a gente tem.

Mesmo que a gente tente jogar tudo fora. Não sai.

Então, você, pessoa que saiu de um relacionamento ano passado e, um ano depois, ainda não superou: eu te entendo. Então sorria comigo. Uma hora passa.