As flores.

Ele esperava um ônibus ali na avenida. Fazia algum tempo.

Olhou para a frente.

Do outro lado da rua, um homem carregava um buquê de rosas. Vermelhas.

Sentiu o coração apertar.

‘e se fosse eu?’.

Pensou nela.
Não que não pensasse com frequência. Pensava até. Pensava quando saia… Podia encontrar com ela em qualquer lugar. A cidade não era tão grande. E sabia que ela estava lá.

Pensou em quanto ela sonhava com flores.
Não com filhos, com a festa de casamento, com um jantar a luz de velas.

Ela sonhava com flores.

Com rosas, mas ela gostava de copos de leite.
‘São caros, amor. Rosas funcionam. Aliás, uma só’.

Uma rosa só. Ele não sabia o quanto custava.

Uma vez, ela pegou uma flor no chão. Colocou no cabelo, presa com um grampo. E sorriu.

Ele sentiu-se estranho. Ela estava linda, como sempre estava. Mas aquela flor ali… parecia errada.

Agora ele sabia o motivo.

As flores nunca haviam chegado. Talvez aquele garoto levando flores estivesse levando para ela.

Ela ia gostar tanto.

O coração começou a apertar. Ela merecia ganhar flores. Ela ia ganhar flores.
Mas… não dele.

Sentiu uma lágrima cair de rabo de olho. Levantou o rosto, viu o homem com as flores ir embora e o ônibus chegando.

Imaginou o sorriso que ela daria se as flores fossem para ela.

E, de alguma maneira… sorriu também.

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