continho

Ela dançava na beira da piscina. A bebida, como sempre, tinha subido rápido demais.

We both lie silently still in the dead of the night.
Although we both lie close together, we feel miles apart inside
Was it somethin’ I said or somethin’ I did? Did my words not come out right?
Tho’ I tried not to hurt you, tho’ I tried, but I guess that’s why they say…

Eduardo parecia fugir das conversas. Seu olhar caia nos pés dela enquanto a voz do Brett Michaels saia da caixa de som.

Ela parecia pertencer a algum clipe, algum filme, algum momento. Ele ainda não sentia que fazia parte daquela música. Daquele corpo. Daquela cena.
– Duca – ele ouviu – Quer outra cerveja?

Ele apenas recusou com a cabeça.

I listen to our favorite song playin’ on the radio, hear the DJ say love’s a game of easy come and easy go
But I wonder does he know? has he ever felt like this?
And I know you’d be here right now, if I could have let you know somehow, I guess…

Ele não queria se aproximar dela. Sentia que ela precisava dançar ali, sozinha. Ou estava apenas com medo de… dissolver aquela cena. Dissolver a visão. Era ali de expectador que ele se apaixonava por ela mais uma vez.

Foi subindo o olhar. Parou ao perceber que ela estava parada. Quieta.

Though it’s been a while now, I can still feel so much pain
Like a knife that cuts you, the wound heals, but the scar, that scar remains

Os olhos estavam fechados, os lábios cantavam a música. Os dedos tocavam um violão imaginário.

‘Porra, Eduardo…’

Engraçado como até seus pensamentos soavam com a voz dela.

‘Porra, Eduardo… vai lá. Logo’

I know I could have saved a the love that night if I’d known what to say
Instead of makin’ love, we both made our separate ways
Now I hear you’ve found somebody new and that I never meant that much to you
To hear that tears me up inside and to see you cuts me like a knife

VEM.

‘Vem, Duca’

A voz dela na sua mente disse. Laura nunca o chamava de Duca. Eduardo. Sempre Eduardo.

Ela voltou a dançar. A música ia acabar.

Vai… Eduardo.

Levantou-se. E foi.

Segurou a cintura dela, balançou ao mesmo ritmo, colocou o rosto nos ombros dela.

– Você veio, Duca.

Every rose has its thorn
Just like every night has its dawn
Just like every cowboy sings his sad, sad song
Every rose has its thorn

Yeah, it does.

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Carta.

this

Esse é o sentimento que eu tenho todos os dias.
Eu ainda me encontro de alguma maneira com suas fotos e nossas memórias, nossos planos parecem ter sido feitos ontem, ainda estão frescos na minha cabeça.
Eu, ao menos, ainda tenho os mesmos planos. Os mesmos desejos.

Infelizmente, isso ainda inclui você

let’s do it!

Coloca o Sammy pra tocar e vamos ser felizes.

Hoje eu devia ter acordado cedo. Mas vou fazer isso amanhã.
Hoje eu não devia ter comido um pacote inteiro de biscoito. Mas não vou comer amanhã.
Hoje eu não devia ter pensando em você. Mas não vou pensar amanhã.

Amanhã vai ser um grande dia.

As flores.

Ele esperava um ônibus ali na avenida. Fazia algum tempo.

Olhou para a frente.

Do outro lado da rua, um homem carregava um buquê de rosas. Vermelhas.

Sentiu o coração apertar.

‘e se fosse eu?’.

Pensou nela.
Não que não pensasse com frequência. Pensava até. Pensava quando saia… Podia encontrar com ela em qualquer lugar. A cidade não era tão grande. E sabia que ela estava lá.

Pensou em quanto ela sonhava com flores.
Não com filhos, com a festa de casamento, com um jantar a luz de velas.

Ela sonhava com flores.

Com rosas, mas ela gostava de copos de leite.
‘São caros, amor. Rosas funcionam. Aliás, uma só’.

Uma rosa só. Ele não sabia o quanto custava.

Uma vez, ela pegou uma flor no chão. Colocou no cabelo, presa com um grampo. E sorriu.

Ele sentiu-se estranho. Ela estava linda, como sempre estava. Mas aquela flor ali… parecia errada.

Agora ele sabia o motivo.

As flores nunca haviam chegado. Talvez aquele garoto levando flores estivesse levando para ela.

Ela ia gostar tanto.

O coração começou a apertar. Ela merecia ganhar flores. Ela ia ganhar flores.
Mas… não dele.

Sentiu uma lágrima cair de rabo de olho. Levantou o rosto, viu o homem com as flores ir embora e o ônibus chegando.

Imaginou o sorriso que ela daria se as flores fossem para ela.

E, de alguma maneira… sorriu também.