não é?

yeas

Nobody sait it was easy.

Era o que estava escrito ali, na frente do edificio Saint Patrick. Sumiu já.

Mas a lembrança fica. E o recado também.

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rehab

Primeiro eles te ligam. Eles, sua dupla de amigos que anda sempre junta.

Te pegam. E lá começa.

O primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto chopp.
Eles, você sabe, não bebem impar.

Depois, posto de gasolina. Mais duas pra você.
E mais duas na pracinha.

A cabeça dói, você já tinha chorado por todos os motivos possíveis. É impossível não falar dele. Não pensar nele. Não lembrar. Foi com ele que você ‘aprendeu’ a beber. E era com ele que você queria olhar nos olhos, sentar na pracinha com Stella Artois quente e engolir tudo de uma vez só.

Depois de se arrastar pelas escadas, você chega em casa. Tira o short, liga o ar, cai na cama.
Olha para o chão e vomita todas as costelinhas de porco, todo o nhoque. Tudo fica ali, no pé da sua cama. E, sem forças, você dorme.

Você acorda. 5hrs da manhã. Ao levantar, esquece do empecilho no caminho. Hora de limpar aquela bagunça. Limpa, escova os dentes, lava o rosto, bebe água. E, de alguma maneira, se sente mais leve. Sente que algo – que não sairia com o vômito – saiu de você.

Pelo menos um pouco.
E nem doeu tanto assim… até agora.

Sobre amar (ou você podia )

Você podia ter dito a verdade. É. Aquela que dói feito faca, que machuca que nem bater o dedo mindinho na quina da cama.
Você podia ter tentado mais um pouco. Não ia ser fácil porque nunca é fácil mesmo. Não foi no inicio, não ia ser agora.
Você podia ter vomitado. É, vomitado todas as palavras, tirado todas elas da garganta. Até as mais cruéis. Eu ia ouvir. Eu ouviria qualquer coisa vindo de você.
Você podia ter esperado. Mais um pouco, só mais um pouco. Eu não tiraria nada de você se você não quisesse.
Você podia ter feito tanta coisa.

Você podia não ter me amado. Principalmente porque foi correspondido. E porque eu não sei o que fazer agora.

ás de copas

“Queria ter dito que senti sua falta.

Ali, naquele dia, no banco.

Queria ter te dito que eu perguntava de você a mim mesmo todos os dias. Que eu via as fotos no facebook. Que eu lia os recados que as pessoas te deixavam esperando ouvir alguma resposta sobre você. Eu nunca deixei recado algum.

Queria ter te dito que eu não me importo com o que aconteceu.

Eu realmente não me importo, Laura.

E, já que 3 é seu número da sorte: eu REALMENTE não me importo.

E nunca vou. Não preciso.

Só… próxima vez que sumir, me avise. Talvez a gente possa sumir junto”.

PS.: Laura é uma personagem de um livro que não existe. Alguns trechos apareceram por aqui de vez em quando… E ainda vão aparecer mais.

4 músicas que eu ainda sei cantar

Sabe aquelas músicas que você ouve o tempo todo em determinada época da sua vida? Claro que sabe. Tendo nascido em 1991 (e muito apaixonada por música), resolvi trazer algumas músicas que eu ouvia e não entendia o significado. Hoje eu entendo, além de nunca ter esquecido as letras.

E só pra constar: claro que eu estou ouvindo cada uma das músicas. E cantando. TE AMO, MÃE, NÃO ME ODEIA.

1. Adrienne – The Calling

Tenho uma história muito homérica envolvendo The Calling e eles ainda são responsáveis por uma das melhores músicas que eu já ouvi na vida. Mas Adrienne foi a música que me fez prestar atenção REAL a eles – levou ao fanatismo maluco.

2. Don’t Stop Dancing – Creed

Creed difundiu o conceito de cafuçu uó no mundo, clipes completamente bizarros e músicas ruins em Malhação. Period.

3. História de verão – Forfun

As duas versões, por favor.

4. Se essas paredes falassem – Dance of Days

Sempre achei DOD DEMAIS até pra mim. Nenê Altro nunca desceu. Nunquinha da Silva. Mas gostava dessa música. Exagerada, metida a merda, mas gostava. E canto mesmo e sou feliz assim.

E ai, quais as músicas velhas/toscas que vocês ainda sabem cantar?

O que ninguém avisa.

A gente cresce com medo das várias doenças que tem por aí. Câncer, tuberculose, hepatite, problemas cardíacos, vitiligo, diabetes, enfim. Eu tenho pessoas na minha família que tiveram câncer, meu avô faleceu por ser hipertenso, meu pai é hipertenso. Isso é até normal de falar. Eu tinha um hemangioma que pegava metade do meu rosto e me fazia ser a piada favorita dos meus colegas de sala, mas eu sabia muito bem o que aquilo era. E quando as pessoas estranhavam, eu sabia responder.

Agora o que você pensa ao dizer que tem uma doença mental?

Sua mãe depressiva, seu tio esquizofrênico, sua prima borderline.

Sempre fica aquele silêncio. Aquele vazio.
Você que tem não fala. Apenas toma seus remédios em silêncio, vai pra o seu psiquiatra ‘fugido’.

Pra quê isso? Pra criar ainda mais preconceito na cabeça de todo mundo? Pra ficar que nem um monte de pessoas que eu vejo por ai que podiam ser muito melhores, mais felizes, mais saudáveis, ter uma vida OK, mas não são pelo simples fato de não aceitarem ir a um médico.

Uns dois meses atrás, uma pessoa que eu conheço postou no facebook algo como ‘Pelo fim da bipolaridade das pessoas’ e uma hashtag qualquer. Aquilo me incomodou. Possivelmente eu faria a mesma piada uns anos atrás – assumo isso na boa. Mas agora, não. Respondi que ela tava falando da bipolaridade errada. Ela respondeu que não. E eu retruquei de modo bem humorado ‘então dá dois comprimidos de litio 450mg por dia que melhora’.

Duvido que ela tenha entendido.

Ser bipolar não é uma piada que você coloca no facebook. Ter uma doença mental tem que deixar de ser tabu. Se existisse o mesmo tabu que existia em relação a AIDS anos atrás, não existiriam coquetéis de remédios, tratamentos, aumento da vida do paciente. Pior é você ter e não se tratar, não saber viver com isso.

E não é de mim, a garota de 22 anos que vai tomar remédio a vida toda, vai ser taxada de louca, apenas por que assume uma doença que ninguém quer assumir, que eu vou ter pena. É de você.