Ser/Não ser.

Pra ser sincera, não é fácil de ouvir não.

Por mais que você já saiba, por mais que esteja ali na sua frente… ouvir não é fácil. Mesmo que a notícia seja dada por um senhor velhinho e careca, de camisa de botão roxa, num consultório com quadros na parede e muito claro, com um sorriso simpático e que te busca na porta do consultório.

Como é que vai ser agora? Como eu vou me apresentar pra’s pessoas?

Meu nome é Heloíza, eu tenho 22 anos e sou bipolar.

Sou não. Tenho transtorno bipolar. Ainda preciso me convencer disso, pra ser sincera.

Por que eu preciso, o tempo todo, me convencer que eu sou um pouco mais do que o diagnóstico. Mas é difícil.

Primeiro, por quê ninguém realmente sabe o que é bipolaridade. Ninguém sabe como funciona. Nem como é. Nem como vai ou como pode ser. Minha mãe, mesmo, foi procurar no google.

Eu também, mãe. Eu também.

E nesses passeios, descobri o simbolo da bipolaridade. 3 caracteres. E muitos sentidos.

pb
P.s.: os post sobre a doença vão ser frequentes no blog. Parte da terapia.
P.s.: meu celular quebrou, por isso, o projeto 365dias vai atrasar um pouco, mas logo logo tá de volta :o)

ac/dc

Sempre fui fã daqueles programas patéticos de mudanças: mudança de casa, de visual. 10 anos mais jovem, esquadrão da moda, essas coisas.

Coisa de tia velha. Eu sei. Não me julguem.

Mas, devo dizer que poucas coisas no mundo são tão gostosas quando o rosto da surpresa.

Cena.

Pessoa se aproxima de você. Você faz uma piada. Pessoa ri, responde e resolve se apresentar.
– Mas você já me conhece, ué.
– Conheço?
– Sim. Eu sou ex-namorada de xx.
– Helô?

E é ai que vem o rosto da surpresa. O rosto que você espera sempre que passa de uma fase pra outra, sempre que dá adeus.

Pequenezas

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O mundo é tão grande, Laura . Tão grande. Quantas vezes você me disse isso? Quantas vezes você tentou me convencer que tudo estava ali, pra mim? Milhões. Mas isso era balela. Bobagem. O mundo não está aqui, se colocando na minha frente. O mundo não estão aqui, esperando que eu dê meu primeiro passo.
– Mas eu estou.

Lição do dia

– Ouça, Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que se encontram as melhores coisas. Este céu que nem promete chuva. Aquela estrelinha que esta nascendo ali… Está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os Reis Magos, nem os pastores, nem os marinheiros. Não fez nada. Apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil esta a Beleza. No inútil está Deus.
Virginia apertou o ramo de rosas contra o peito. “Inútil é o amor que eu tenho por você”, quis dizer-lhe.
Não disse.

 

(Ciranda de Pedra, de Lygia Fagundes Telles)

 

somewhere i belong

Poucos sentimentos são tão importantes pra mim do que o ‘sentir-se em casa’.

Até 2009, eu não achava que Recife era meu lar. Dublin era.

Descobri que Dublin, realmente, é. Mas, ainda descobri que Recife também é.

E, em 2012, ganhei mais uma casa. Eu, que vivia dizendo que nunca moraria no Rio, que não tinha visto graça na cidade… fiquei fascinada (como tantos outros).

Meu coração leviano está espalhado por três lugares distintos.

Hoje, planejando me mudar o mais rápido possível, esse conceito de lar fica indo e voltando o tempo inteiro. Lar é onde ficam os meus livros. Ou onde ficam os meus sonhos?
Lar é uma cama? Lar é uma pessoa? Lar é um prédio perto do CCBB, com uma varanda grande onde eu colocaria uma cama elástica?
Lar é onde o porta escova é cheio? Onde a escada tem carpete? Onde o cachorro se encosta nos seus pés e dorme?

Talvez lar seja tudo isso. E muito, muito mais.