(i)maturidade

Deixa eu contar uma coisa para vocês: daqui a pouco mais de uma semana, eu faço 22 anos.

É. 22 anos.

Aos 22 anos, eu me formo (!) numa universidade pública, pretendo fazer uma prova de mestrado. Aos 22 anos eu já tive dois trabalhos acadêmicos apresentados, algumas viagens ao redor do mundo acompanhada ou não, muitas cores de cabelos e planos. Já namorei por um bom tempo, já meditei, já perdi muitas coisas e já ganhei algumas.

Desde pequena, eu sempre convivi com pessoas mais velhas. Sendo a mais nova da turma, todos os meus ‘classmates’ eram um, dois e até três anos mais velhos que eu. Sempre tive facilidade com os mais velhos. Entre os treze/quatorze anos, todos achavam que eu tinha dezesseis, ao menos. “Você é tão madura”. Deve ter sido a frase que eu mais ouvi durante toda a minha vida.

Por alguns motivos, eu precisava ser madura mesmo. E essa foi uma máscara que me serviu. Me serviu quando eu, aos 14 anos, apresente uma palestra sobre mitologia celta. Me serviu para, na sexta série, dançar flamenco num teatro onde todas as outras garotas que se apresentavam eram ensino médio. Me serviu aos 10 anos para pegar dois ônibus sozinha se eu quisesse treinar ginástica. Me serviu para aos 18 anos de idade e sem nunca ter pego um avião na vida, ir embora pra Dublin.

Ser madura me trouxe responsabilidades que eu aceito com o maior prazer. Me trouxe oportunidades. Mas me trouxe um pensamento que não está certo.

Aos 21 anos, eu não era mais madura.

Eu passei a ser, simplesmente, velha.

Velha que, quando eu quis pintar meu cabelo de vermelho, eu ouvi ‘você já não tem mais idade pra isso’.
Velha ao ponto de passar dias em casa por que achava que aquilo não era pra mim. Era perda de tempo.

Eu era velha sem ter sido, antes de tudo, jovem. Eu era velha apaixonada por contos de fadas, toyart, dormindo com a mesma boneca desde os seis anos… Eu era velha por que não usava roupas relativamente curtas. Por que não via graça em maquiagem. Eu era velha por que consigo transferir uma discussão entre filmes da Pixar e Goethe em cinco segundos.

Eu ainda quero ser madura. Eu só não quero mesmo é ser velha.

Deixa eu ser velha aos 23 anos. Por que, agora, quase com 22, eu só quero é ser… eu.

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