talentos.

Tenho o dom de não esquecer.

É sério. Não esqueço.
(e você sabe bem disso)

Quando eu te ver de novo – por que eu sei que isso vai acontecer – eu vou lembrar de tudo. Do jeito que você anda, do jeito que move as mãos, da sua mania boba de pegar apenas uma mão (até isso tem que ter o lado certo!), do seu eterno respeito por sinais de transito – inclusive quando está bêbado, dos seus estranhos passos de dança e de você nunca saber o que fazer com os braços ao ouvir uma música legal. Não vou esquecer de como você gritava minhas músicas favoritas no meu ouvido, com o inglês mais errado do universo, eu tinha vontade de te enforcar. Quando você me esperava na porta do banheiro, encostado na parede, como se estivesse de castigo, dos seus olhos sonolentos mesmo quando você não está com sono nenhum, de como você se apega a coisas como uma camiseta ou um travesseiro velho e esculhambado. Da sua demora em escolher o que comer, o que beber, para comer. Seu modo de olhar roupas, seu alto conhecimento de tons e cores, seu pouco senso de direção (para não dizer nenhum), sua memória ruim com nomes de ruas, pessoas e lugares. A depressão depois da euforia. A euforia que antecedia o cansaço extremo. O cansaço extremo que antecedia acordar de madrugada para ler game of thrones. Ou só por acordar mesmo.

Quando a gente se encontrar de novo, eu vou te abraçar. Ah, vou sim. Vou por que quero, por que posso. E por que eu lembro como é.

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