perdida por ai.

Na faxina que eu fiz depois de ter ‘feito o que eu fiz’, não achei a carta.

É, aquelas cartas que todo s que se preze escreve.

Nela, eu te agradecia. Por me ajudar a construir coisas. E agradecia a ele. Por ter destruído o que eu havia construído.

Fico imaginando se minha mãe leu. Se minha tia leu, se minha irmã leu. Se elas jogaram fora. Se elas guardam junto com as minhas cartas de papai noel.

Se sim, você está junto dos meus desejos de infância. Dos meus sonhos e das bonecas barbie que eu pedia. Deve ser um bom lugar pra ficar.

2x

Daqui a pouco mais de um mês, eu faço 22 anos.

22 em 22.

22 sempre foi um número que eu gostei e, não sei como, tenho facilidade de me aproximar de pessoas que também gostam do mesmo número. Os dois patinhos na lagoa são realmente um número simpático.

Esses dons que a gente não tem.

Sempre tive uma teoria sobre ‘dons’. Cada pessoa possui alguns. Pequenos, grandes. Por sorte, nos descobrimos quais são relativamente cedo, assim, poderemos aproveitar cada instante deles.

Eu, como quis, descobri os meus cedo. Escrever, ler e falar.

Sou dessas pessoas que se apresenta, que fala com todas as mesas da festa, que lê até noticias ruins de jornal, outdoors, propaganda num poste, crachá de frentista, que escreve qualquer coisa, em qualquer papel, de qualquer jeito.

Sendo assim, eu também descobri os dons que não possuo.

Não possuo – apesar de insistir em possuir – o dom da paz interior. Não possuo o sorriso largado, a gargalhada não contida, a felicidade instantânea. Essa alegria de acordar com o sol nascendo, com passarinhos cantando. Eu seria uma péssima princesa da Disney – talvez por isso que eu goste tanto das princesas.

Eu não nasci com o dor de tocar as coisas, encarar de frente. Eu finjo que não aconteceu, que as coisas continuam as mesmas. Eu não nasci com o dom de ‘tomar semancol’.

Mas, acreditem: eu insisto.