pra dizer adeus

A gente nunca tá preparado pra essas coisas, Leon.

Nunca.

Nem eu, nem você, nem ninguém. Mas aconteceu.

Ontem, conversando com Pedro, eu me vi rindo. ‘Corpo de garoto aparentando 14 anos’. Sério? Mesmo com teu 1.80, tu era magro que nem uma vara. Tanto que te deram 14 anos quando, na verdade, você tinha 16! Pode parecer até besteira, mas eu sabia que tu ia ficar super irritado. E todo mundo ia rir da sua cara. Talvez você esteja até rindo, ai no céu.

Desde que você foi embora, eu pouco saí de casa. E, basicamente, todas as vezes que eu saí, eu passei exatamente onde aconteceu. E não consigo não olhar. Procuro por placas, por sinais, por respostas.

Procuro explicar o fato de você ter ido embora. Logo você, covarde e medroso. O bebê do papai e da mamãe, o mais novinho, o único menino, cheio de manha. Bonzinho, bobo, fazia tudo o que todo mundo pedia. O jeito magrelo e desengonçado. Com o corpo alto e tão magro, andando de um jeito engraçado.

Lembrei da formatura de Helvia. Lá fui eu e você dançar forró. Claro que não daria certo. Um canhoto e uma ambi-destra. Mas até que não foi tão ruim. Ou foi?

Agora eu só quero pensar que foi mais uma lembrança nossa. Das muitas que vão ficar por aqui.

E vão ficar pra sempre.

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