em setembro de 2009

Ontem, aleatoriamente, me peguei contando minha própria história para as paredes do meu quarto. Contava com detalhes que eu mesma não sabia que lembrava. Aquelas paredes pareciam tão confortavéis. E fui contando a história enquanto tomava banho, enquanto me enxugava, me vestia, tirava os bichos de pelúcia na cama, ligava o ventilador, desligava a luz, deitava na cama, me cobria, abraçava a Babinha (que fez 13 anos ontem!).
Se eu começar a pensar, ontem foi um dia bom. Muito bom.
Fazia milênios que eu não nadava. Quando o Daniel chamou, no primeiro momento, eu não quis. Na minha mente, eu continuava sem gostar daquilo tudo. Mas, ‘namorar’ requer um pouco de sacrificiozinhos. E, levando Ísis na bagagem, fui.
Depois de indas, vindas, pé esquentando, dialogos macabeicos com Toninho, armários e corre-corre, eu pulei na primeira piscina (e ganhei um arranhão no joelho). E me senti bem. Ótima. Senti como se todas as coisas que eu gostava e passei a odiar, eu podia gostar de novo. Eu podia sentir aquela alegria infantil, aquela empolgação e a vontade de me sentir parte da natureza, apenas por estar em uma piscina.
Mais tarde, nadando, ouvi uma música do Skank, uma versão de ‘I want you’, do Bob Dylan. E olhei pra frente e vi a primeira pessoa que eu lembro quando ouço essa música. Pensei em dizer: ‘essa música me lembra você’ (a do Dylan, quero dizer). Mas a frase ficou apenas na minha cabeça. A única coisa que saiu foi um sorriso. E outro sorriso em resposta. E um beijo.

Mas o fato é que eu acho que as paredes do meu quarto (que, futuramente, vão mudar de cor) me entendem muito, muito bem.

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as não voltas que a vida dá.

Uma vez, eu vi uma propaganda de uma agência de intercâmbio que dizia: ‘Todo mundo volta diferente de uma viagem’.

No auge dos meus 21 anos, posso dizer que, nós últimos quatro anos, tenho feito pelo menos uma ‘grande’ viagem por ano (Dublin, Buenos Aires 1 e 2 e, agora, Rio de Janeiro, onde eu passei dez dias).

E, para ser muito sincera, essa foi uma das viagens mais importantes que eu já fiz.

Eu tinha planos e, cerca de um mês antes de entrar no avião, todos eles desmoronaram. Então, fui sem plano algum. Ia ficar em um albergue metade da viagem. Depois, sabe-se lá pra onde eu ia… Acabei ficando no albergue. Dividindo quarto com mais 13 pessoas, ouvindo todo tipo de sotaque, falando mais inglês que português. Sobrevivi ao Rio de Janeiro sem ir ao Cristo Redentor, ao Leblon, Ipanema, Pão de açúcar. Andar por Botafogo atrás de comida chinesa, descobrir as casas mais lindas, com as grades mais lindas… Tudo isso me atraía muito mais.

Não fazer planos me fez bem. Não só a mim, devo ser bem sincera. Não fazer planos me fez pegar uma barca num domingo chuvoso, me fez comprar um casaco, me fez pagar 18 reais em um empanado de camarão com cream-cheese, me fez beijar quem eu queria no momento mais errado, me fez dormir junto e separado, me fez ficar apaixonada por um Golden de 2 anos chamado Charlie, me fez acordar e ver um inglês dormindo pelado na cama logo abaixo da minha.

Fez com que eu me sentisse viva. E feliz, como nunca me senti antes.

Plantei e colhi. E ainda vou plantar mais e colher mais. Ou minha mãe vai fazer isso com as sementes de Dália que eu dei de presente pra ela…