O dia em que eu conheci meu grande amor.

Existe algo bom em ser filha de professores. Ganhar livros a cada dois anos. Não que eu não compre/ganhe livros (nunca dos meus pais, minha mãe acha caro e supérfluo – e ela é professora de português e foi ela mesma que me ensinou a ler) durante esse tempo, mas é que na Bienal, 100 reais estão ali, me esperando. E eu posso comprar livros mais caros (e os que eu não tenho paciência de procurar).

Mantenho uma bizarra tradição de comprar quadrinhos na Bienal. Mafalda, Calvin. E nesse ano, não quis ser diferente.
Fiz uma lista de quadrinhos para procurar e, na primeira loja que eu entrei, fiquei. E comprei um dos livros da lista: Retalhos, do Craig Thompson.

Li “Retalhos” na casa do meu tio, sentada no chão, ouvindo meu primo de cinco anos de idade gritar e reclamar por qualquer besteira. Normalmente, eu pararia de ler, tentaria resolver algo e deixaria aquele momento para outro momento.
Mas não.

Primeiro a criança com a camisa de super héroi que dorme na mesma cama que o irmão. Depois o adolescente apaixonado.
E foi por esse adolescente apaixonado que eu me apaixonei.

A magreza, os cabelos desgrenhados. Era como se eu fechasse meus olhos e ele fosse o meu primeiro amor. Subitamente, ele fazia parte do Hall do Relacionamentos Platônicos que eu possuía. Seja lá isso bom ou ruim.

Retalhos tem gosto de primeiro amor. Memórias de primeiro amor.
Sejam as que merecem ser queimadas ou não.

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