blanco como tú

As vezes (e só as vezes), eu sonho em um quarto vazio. Completamente branco. Não espero que ninguém leia a metáfora, tampouco espero que ninguém leia qualquer coisa, mas enfim.

As vezes, eu imagino se a minha vida fosse igual ao meu moleskine do Macanudo. Sem uma página escrita. Sem um desenho (ou tentativa de desenho), sem linhas ou quadros ou retalhos ou textos ou frases ou artigos ou eu ou não ou sim ou talvez. Meio que me lembra 50 first dates, onde o pai acaba pintando a parede de branco todos os dias, onde a personagem da Drew Barrymore possa pintar de novo. Todos os dias.

Eu não preciso bater em uma vaca segurando um abacaxi. Eu só preciso me esforçar um pouco e fechar os olhos. É fácil, até. O problema, na verdade, é quando eu acordo. E me canso. Das paredes azuis, das roupas, dos defeitos. E eu começo a achar que branco é uma cor tão bonita. Branco como leite, neve, pele da minha avó, ursos polares canhotos. Branco como sonhar.

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