hospital(idade)

Trabalho em um hospital desde novembro de 2010. Relativamente pouco tempo. Mas muito para alguém que não estuda medicina/farmácia/biologia/biomedicina/fisioterapia/enfermagem/terapia ocupacional/psicologia. Me orgulho em dizer que ainda não vejo as pessoas como pacientes, doentes, enfermos. Me orgulho de verdade.

E, como participante diária e inativa de um enorme hospital público, onde o museu é confundido com elevador, fisioterapia, medicina nuclear e necrotério (ok, estou exagerando, esse não foi ainda), resolvi escrever um pouco sobre como funciona, como pensa, logo, existe. Como vive um hospital (e todo mundo dentro dele).

Hospital(idade), a gente vê por aqui.

Anúncios

blanco como tú

As vezes (e só as vezes), eu sonho em um quarto vazio. Completamente branco. Não espero que ninguém leia a metáfora, tampouco espero que ninguém leia qualquer coisa, mas enfim.

As vezes, eu imagino se a minha vida fosse igual ao meu moleskine do Macanudo. Sem uma página escrita. Sem um desenho (ou tentativa de desenho), sem linhas ou quadros ou retalhos ou textos ou frases ou artigos ou eu ou não ou sim ou talvez. Meio que me lembra 50 first dates, onde o pai acaba pintando a parede de branco todos os dias, onde a personagem da Drew Barrymore possa pintar de novo. Todos os dias.

Eu não preciso bater em uma vaca segurando um abacaxi. Eu só preciso me esforçar um pouco e fechar os olhos. É fácil, até. O problema, na verdade, é quando eu acordo. E me canso. Das paredes azuis, das roupas, dos defeitos. E eu começo a achar que branco é uma cor tão bonita. Branco como leite, neve, pele da minha avó, ursos polares canhotos. Branco como sonhar.

ale alejandro

Hoje eu descobri minha dupla personalidade.

A Heloíza de domingo.

 

A Heloíza de verdade, a de segunda/terça/quarta/quinta/sexta/sábado, não lê chicklit. Sério. Ela acha isso programa de gordinha tensa e chata, prefere morrer sem ler Marian Keyes (ou seja lá como for) e Meg Cabot. A Heloíza semanal não ouve Caetano Veloso e nem tem vontade de tomar caldinho de feijão. Nem gosta de praia.

Acontece que hoje é domingo. E ‘na cristalina cajuína em teresina’ é a única frase que soa na minha mente agora…

Eu vi Flávio fazendo o dele, tive vontade de fazer. Já fiz uma vez pra escola, o professor gostou pra caramba, leu em sala. Mas eu não tenho ele aqui, por isso, vou re-escrever.

 

Eu lembro de 11 de setembro de 2001 por que era aniversário do meu melhor amigo na época (oi Leandro, teu nome ainda vai aparecer aqui). Eu estava na quinta-série.

Eu chegava em casa aproximadamente de meio-dia e, na minha antiga casa, na sala de jantar tinha uma televisão menor. Meu hábito era ver ‘O laboratório de Dexter’ antes de almoçar. E eu ia fazer isso…

‘- Não adianta ligar a TV, Helô, tá passando alguma coisa que caiu nos EUA em todos os canais’.

Liguei mesmo assim (sou teimosa até hoje).

Fiquei revendo aquela cena muitas vezes, afinal, era a única coisa que passava na TV.

– Desliga isso, Helô, tá na hora do almoço e eu não quero ver desgraças enquanto eu como.

E o que eu podia fazer? Desliguei.

 

Mais tarde, assim que tudo ficou mais tranquilo, liguei pra Leandro pra, mais uma vez, desejar feliz aniversário e para comentar que tava passando Aracnofobia no SBT.

‘-Depois do que aconteceu hoje, ninguém mais vai esquecer do seu aniversário’

 

Pois é.

No outro ano, eu já não tinha idéia onde Leandro estava, não moravamais na mesma casa, não almoçava mais na mesma sala de jantar e tinha coisas mais importantes pra me preocupar.

Mas, no fim, eu tinha razão. Eu e nem o mundo esquecemos. Por isso, feliz aniversário. E curta o seu dia inesquecivel.