museu e o cemitério

Tá. Eu tenho que assumir.

Museus são uma versão ‘modernete’ e bonita de cemitérios. Eu posso provar: trabalho em um que conta a história de uma pessoa… morta. Morta com uma história. Mas morta.
E, pra declarar ainda mais meu pensamento, eu trabalho em um museu dentro de um hospital.

As vezes, condenada à solidão (drama), eu ouço fantasmas.  Fantasmas que batem no batente, que abrem a porta, que falam, que fingem que gostam, que gostam de verdade, que não tem tempo, que usam jaleco.

De vez em quando, os fantasmas gostam de conversar. Alguns até sorriem. Me acompanham pelas duas salas, me fazem as mais diversas perguntas.

Outros (para não dizer, a grande maioria) diz bom dia e só. Outros ainda parecem meio cegos perdidos em tiroteio.

Nem sempre os fantasmas se divertem. Alguns ficam nostálgicos, já vi uns chorarem e outros me abraçarem como se eu fosse uma espécie de coveiro importante.

Importante eu não sei. Mas se coveiro receber melhor que estagiário, eu tô aceitando…

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s